Dezembro chegou repleto de luzes amarelas, parece ter fogo nos olhos.
Da janela vê-se o mês passar, batendo palavras no chão, varrendo pessoas, sonhos, esperanças e frustrações.
Ora parece um dragão que tudo queima com o hálito e afasta o que sobra com a cauda.
Ora parece um homem com a idade do mundo, que segue impaciente, rogando maldições ao ainda insiste em ficar no meio do caminho.
É dezembro e o tempo entre os dois ponteiros parece encolher mais rápido do que o usual.
Parece ter saído dos relógios para abrigar-se no espaço entre a nossa cabeça e o pé.
Dezembro vai seguindo e desaparecendo a olhos nus.
Segue desaparecendo com o tempo, sem apaixonar-se pela estação, sem olhar para o lado.
Sem espaços.
Segue.
Corre.
Foge.
E está quase no fim.